Dr. Fernando Simionato Garbi · CROSP 97032
05.
Trauma Facial3 min de leitura

Fraturas de Face: Diagnóstico e Fixação Interna Rígida

AutorDr. Fernando Simionato Garbi
RegistroCRO-SP 97032
EspecialidadeCirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

As fraturas dos ossos da face representam um grupo relevante de lesões que chegam com frequência a serviços de urgência e emergência hospitalar. Acidentes de trânsito, quedas de altura, práticas esportivas de contato e situações de violência estão entre as principais causas. Apesar da gravidade potencial, a grande maioria dessas fraturas pode ser tratada com bons resultados funcionais e estéticos quando corretamente diagnosticada e manejada por equipe especializada.

A face é composta por um conjunto complexo de ossos — mandíbula, maxila, zigomáticos, ossos nasais, ossos da órbita e frontal, entre outros — que protegem estruturas vitais como globos oculares, vias aéreas e encéfalo. Uma fratura nessa região pode comprometer funções básicas como mastigação, visão, respiração nasal e fala.

Este artigo apresenta o panorama dos principais tipos de fraturas faciais, os métodos diagnósticos utilizados e os princípios que orientam o tratamento cirúrgico com fixação interna rígida.

O que são fraturas faciais?

Fraturas faciais são soluções de continuidade óssea que ocorrem nos ossos do terço médio, inferior ou superior da face. A classificação mais utilizada divide as fraturas por região anatômica: mandíbula (1/3 inferior), maxila e complexo zigomático-orbitário (1/3 médio), e frontais/craniofaciais (1/3 superior). As fraturas da maxila são classicamente classificadas pela escala de Le Fort (I, II e III), que descreve padrões de traços progressivamente mais altos e extensos. O diagnóstico definitivo é feito por tomografia computadorizada com reconstrução tridimensional, que permite ao cirurgião avaliar deslocamento, cominuição e envolvimento de estruturas adjacentes.

Indicações e limitações

O tratamento das fraturas faciais pode ser conservador ou cirúrgico, dependendo do tipo, grau de deslocamento e impacto funcional.

Tratamento conservador: indicado em fraturas incompletas, sem deslocamento significativo, sem comprometimento funcional relevante — como algumas fraturas nasais simples ou fraturas mandibulares em galho verde em crianças.

Redução fechada com bloqueio maxilomandibular (BMM): indicada em fraturas mandibulares de baixa complexidade, imobilizando temporariamente maxila e mandíbula com fios ou elásticos.

Redução aberta com fixação interna rígida (ORIF): padrão-ouro para fraturas deslocadas, cominutivas ou com comprometimento funcional. Consiste em acesso cirúrgico à fratura, reposicionamento anatômico dos fragmentos ósseos e fixação com miniplacas e parafusos de titânio.

A fixação interna rígida oferece estabilidade imediata dos fragmentos, permite retorno mais precoce da função e evita longos períodos de imobilização. O material de titânio é biocompatível e, na maioria dos casos, não requer remoção posterior.

O que o paciente deve saber antes

Pacientes com suspeita de fratura facial devem ser avaliados em serviço de urgência com tomografia. Antes de uma intervenção cirúrgica, o especialista deve esclarecer:

Quais ossos estão fraturados e qual o grau de deslocamento?

Existe comprometimento de visão, movimentos oculares ou abertura bucal?

O procedimento será realizado sob anestesia geral em ambiente hospitalar?

Qual é o tempo estimado de cirurgia e internação?

Haverá restrição de abertura bucal ou dieta no pós-operatório?

Em politraumatizados, as fraturas faciais são tratadas somente após estabilização das funções vitais. A sequência de atendimento respeita protocolos de trauma que priorizam via aérea, respiração e circulação (ABCDE do trauma).

Riscos e cuidados

O tratamento cirúrgico das fraturas faciais, como qualquer procedimento, envolve riscos específicos:

Lesão a nervos sensitivos ou motores da face (nervo trigêmeo e seus ramos, nervo facial), com parestesia ou paresia temporária ou permanente.

Infecção pós-operatória, especialmente em fraturas com comunicação bucal ou cominuição severa.

Má redução e consolidação em posição inadequada, com comprometimento estético ou funcional residual.

Complicações dos implantes metálicos (infecção, exposição, necessidade de remoção).

Problemas de visão decorrentes de fraturas orbitárias não tratadas: diplopia (visão dupla), enoftalmia.

O acompanhamento pós-operatório é essencial para avaliar consolidação óssea, função mastigatória e possíveis sequelas. Radiografias e tomografias de controle são realizadas em intervalos definidos pelo cirurgião.

Fraturas faciais são emergências cirúrgicas que exigem diagnóstico por imagem e atendimento por cirurgião bucomaxilofacial habilitado. Em caso de trauma facial, procure imediatamente um serviço de urgência com suporte cirúrgico especializado.

Conteúdo de caráter informativo; não substitui consulta profissional. Autor: Dr. Fernando Simionato Garbi — CRO-SP 97032 — Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

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