Dr. Fernando Simionato Garbi · CROSP 97032
01.
Terceiros Molares3 min de leitura

Terceiros Molares Inclusos: Quando Indicar a Extração?

AutorDr. Fernando Simionato Garbi
RegistroCRO-SP 97032
EspecialidadeCirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

Os terceiros molares — popularmente chamados de sisos ou dentes do juízo — são os últimos dentes a erupcionar na cavidade bucal, geralmente entre os 17 e os 25 anos. Por serem os últimos da série dental, frequentemente encontram espaço insuficiente na arcada, levando a situações de impacção ou inclusão parcial que podem gerar dor, inflamação e complicações estruturais para os dentes vizinhos.

A decisão de extrair ou manter um terceiro molar incluso é uma das dúvidas mais comuns trazidas pelos pacientes a consultórios de cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial. Não existe resposta única: cada caso exige avaliação individualizada, baseada em exames de imagem, histórico clínico e análise do risco-benefício para aquele paciente específico.

Este artigo apresenta as principais indicações clínicas para extração, os riscos associados à manutenção desses dentes e as diferenças entre o procedimento simples e o cirúrgico, para que o paciente chegue à consulta com informações sólidas.

O que é um terceiro molar incluso?

Um dente incluso é aquele que permanece parcial ou totalmente retido no interior do osso maxilar ou mandibular, sem conseguir erupcionar para a posição normal na arcada. A inclusão pode ser óssea (o dente está completamente envolto por tecido ósseo), submucosa (coberto apenas pela gengiva) ou parcialmente erupcionado. A classificação quanto à angulação — vertical, mesioangular, distoangular ou horizontal — orienta o planejamento cirúrgico e influencia o grau de dificuldade do procedimento.

O diagnóstico é feito por meio de radiografias panorâmicas e, quando necessário, tomografia computadorizada de feixe cônico (CBCT), que permite avaliar com precisão a relação do dente com estruturas nobres como o nervo alveolar inferior e o seio maxilar.

Indicações e limitações

A extração profilática de terceiros molares assintomáticos é um tema debatido na literatura. As principais indicações clínicas para a remoção incluem:

Pericoronarite recorrente: inflamação do tecido ao redor do dente parcialmente erupcionado, com episódios de dor, trismo e dificuldade de higienização.

Cárie irrestaurável no terceiro molar ou lesão cariosa no segundo molar adjacente por impacção.

Reabsorção radicular do segundo molar vizinho causada pela pressão do dente incluso.

Presença de lesões císticas ou tumorais pericoronárias associadas ao terceiro molar.

Indicação ortodôntica, quando o dente incluso compromete o resultado ou a estabilidade do tratamento.

Impossibilidade de higienização adequada, com risco elevado de doença periodontal no sextante posterior.

A manutenção pode ser considerada quando o terceiro molar está completamente incluso, assintomático, sem patologia associada e com alto risco cirúrgico para estruturas adjacentes — situação que exige acompanhamento periódico por imagem.

O que o paciente deve saber antes

Antes de qualquer decisão, o paciente deve levar a uma consulta especializada as radiografias disponíveis e ter uma conversa franca com o cirurgião sobre os seguintes pontos:

Qual é o grau de dificuldade cirúrgica do caso específico (classificação de Pell & Gregory, Winter)?

Existe risco de proximidade com o nervo alveolar inferior ou o seio maxilar?

A sedação ou anestesia geral é indicada para o caso?

Quais são as expectativas realistas de recuperação — tempo de edema, dor, retorno às atividades?

O procedimento será realizado em consultório, clínica com estrutura cirúrgica ou hospital?

Exames pré-operatórios laboratoriais podem ser solicitados dependendo do perfil sistêmico do paciente. Pacientes em uso de anticoagulantes, imunossupressores ou bisfosfonatos requerem avaliação específica antes do procedimento.

Riscos e cuidados

Como toda intervenção cirúrgica, a extração de terceiros molares envolve riscos que devem ser compreendidos com clareza pelo paciente antes da assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE). Os principais são:

Parestesia temporária ou, em casos raros, permanente do nervo alveolar inferior ou do nervo lingual, manifestando-se como dormência no lábio, mento ou língua.

Alveolite (osteíte alveolar seca): complicação pós-operatória caracterizada por dor intensa a partir do 3.º–5.º dia, mais frequente em tabagistas e pacientes do sexo feminino em uso de anticoncepcionais orais.

Infecção pós-operatória, especialmente em casos de pericoronarite prévia.

Comunicação bucossinusal na extração de terceiros molares superiores com relação próxima ao seio maxilar.

Fratura de mandíbula em casos de grande envolvimento ósseo, situação rara mas possível em dentes de difícil acesso.

O risco cirúrgico é diretamente proporcional à complexidade do caso. Por isso, a avaliação por profissional com formação em cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial é fundamental antes de qualquer decisão.

Para tirar suas dúvidas e obter uma avaliação individualizada, procure um cirurgião-dentista especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial devidamente habilitado pelo Conselho Federal de Odontologia (CFO), com RQE ativo.

Conteúdo de caráter informativo; não substitui consulta profissional. Autor: Dr. Fernando Simionato Garbi — CRO-SP 97032 — Especialista em Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial

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